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ENDOCRINOLOGIA E NUTROLOGIA

Obesidade

A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo excesso de gordura corporal. O diagnóstico de obesidade é feito através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que é uma medida simples da quantidade de gordura de um indivíduo. O IMC é o produto da divisão do peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado.

Os excessos de peso (tanto o sobrepeso como a obesidade) podem aumentar consideravelmente as chances de uma pessoa desenvolver problemas de saúde sérios, tais como: diabetes mellitus (tipo 2), hipertensão arterial (pressão alta), doenças do coração (infarto, angina), derrame cerebral, cálculos na vesícula (colelitíase), colesterol alto (dislipidemia), gota, alguns tipos de câncer (por exemplo, do útero e da mama), problemas dos ossos e articulações (artrose), complicações respiratórias (roncos excessivos e respiração interrompida durante o sono – apnéia do sono) e até mesmo provocar a morte precoce (principalmente devido aos problemas cardiovasculares). A obesidade também torna muito mais difíceis de tratar certas doenças, como a hipertensão e o diabetes.

Além disso, a obesidade é uma condição que diminui muito a auto-estima e leva a transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão, interferindo na qualidade de vida das pessoas. Crianças e adolescentes obesos, por exemplo, são vítimas de preconceito, gozações e rejeição social por parte de seus colegas magros, o que estimula neles o isolamento e o agravamento do sedentarismo, numa situação em que mais atividade física poderia produzir grande benefício. Adultos obesos também sofrem preconceito e dificuldades para obtenção de emprego e até mesmo para iniciar relacionamentos pessoais e amorosos.

O achado de excesso de peso (principalmente gordura na região abdominal), juntamente com alterações do colesterol, aumento da pressão arterial e diabetes, numa mesma pessoa, leva ao diagnóstico de síndrome metabólica. A síndrome metabólica é importante porque aumenta muito o risco de complicações cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral, e reduz a expectativa de vida do indivíduo, se não tratada corretamente. O tratamento deve envolver o controle de todas as alterações citadas, para minimizar o risco para a saúde do indivíduo. A obesidade, hoje, é considerada a segunda maior causa de morte prevenível nos países desenvolvidos, ficando apenas atrás do cigarro. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 300.000 adultos morrem a cada ano devido a doenças relacionadas à obesidade.

No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2002-2003, já há mais pessoas obesas que desnutridas. O percentual de pessoas adultas acima do peso, no País, já chega a 40%, o que corresponde a 38,8 milhões de brasileiros. Deste total, 10,5 milhões podem ser considerados obesos.

A obesidade é uma doença complexa, e não um simples problema de vontade ou auto-controle. Em geral, a obesidade é causada pela combinação de diversos fatores. Alguns desses fatores são: a alimentação incorreta (excesso de gorduras e/ou carboidratos, ou preferência por alimentos altamente calóricos), a falta de atividade física (sedentarismo) e a carga genética, que determina a facilidade com que uma pessoa ganha ou perde peso em resposta às mudanças dos seus hábitos.

O peso corporal é mantido relativamente constante, em pessoas normais, por um equilíbrio delicado entre a energia que o indivíduo recebe na sua alimentação (ou seja, a sua ingesta calórica) e a energia que ele gasta para realizar as atividades do dia-a-dia (ou seja, seu gasto energético). A obesidade ou sobrepeso ocorre, portanto, quando esse equilíbrio é alterado, fazendo com que o indivíduo receba mais energia do que gasta – assim, a energia em excesso é armazenada, na forma de gordura.

Algumas pessoas nascem com uma forte tendência a ganhar peso com facilidade, o que se deve em grande parte à carga genética, ou seja, às características de família que são transmitidas de pais para filhos ao longo das gerações. Não é raro encontrar famílias onde todos os membros são obesos. Isso acontece porque a carga genética influencia principalmente o gasto energético das pessoas – fazendo com que todos os familiares gastem menos energia quando comparados com famílias magras, e assim engordem com muito mais facilidade. No entanto, apenas a herança genética não é suficiente para determinar que um indivíduo ganhe peso em excesso.

É preciso que ele viva num ambiente que favoreça a obesidade; um ambiente com facilidade de acesso a alimentos com alto conteúdo calórico e onde não é necessária atividade física intensa. Nessa situação é que aparece o maior número de indivíduos obesos: quando uma forte carga genética se junta a um ambiente que favorece o ganho de peso em excesso – um ambiente obesogênico, como o que vivemos nos dias de hoje. Devido, em parte, aos empregos sedentários, à falta de exercício e ao excesso de horas gastas com a televisão, computador e videogame, ganhar peso está se tornando mais e mais comum, já que estamos gastando cada vez menos energia.
Em alguns casos, a obesidade pode ser causada por um desequilíbrio hormonal, mas esta é uma condição pouco comum, que aparece numa minoria do número de obesos.

O conhecimento disponível sobre a obesidade está crescendo rapidamente, graças a intensas pesquisas nessa área. Atualmente sabemos, por exemplo, que as células de gordura produzem diversos hormônios (por exemplo: a leptina), que ajudam a regular o apetite, o gasto energético e o peso das pessoas. Medicações que ajudem a controlar o nível desses hormônios podem representar um grande avanço no tratamento da obesidade, e por isso são muito esperadas pelos endocrinologistas e pelas demais pessoas que trabalham com esse sério problema de saúde pública.

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