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Urologia e Prevenção do Câncer de Próstata

O que é a Urologia?
É uma especialidade cirúrgica da medicina que trata do trato urinário de homens e mulheres e do sistema reprodutor dos homens (testículos, epidídimos, ducto deferente, vesículas seminais, próstata e pênis). Para se tornar um urologista são precisos seis anos de formação em medicina, dois em cirurgia geral e mais dois em urologia. Os órgãos estudados pelos urologistas incluem os rins, ureteres, bexiga urinária, uretra e os órgãos do sistema reprodutor masculino.

O que faz um urologista?
O urologista tanto realiza o diagnóstico de problemas relacionados ao trato urinário de homens e mulheres e do sistema reprodutor masculino quanto realiza cirurgias urológicas. O urologista, por exemplo, é o responsável pelo exame preventivo da próstata.

Também trata de crianças e mulheres. A enurese noturna, mais conhecida como xixi na cama, é tratada pelo urologista. A cistite, infecção urinária comum nas mulheres, também faz parte do rol de atendimentos do urologista. Outros problemas cabíveis ao urologista são: o cálculo renal (pedra nos rins), o câncer de pênis, o câncer de testículo, a disfunção erétil, a infertilidade masculina, etc.

Obesos desenvolvem câncer de próstata mais agressivo
O urologista americano Stephen Freedland, da Duke Prostate Center, um dos maiores pesquisadores da relação da obesidade com o câncer de próstata, apresentou neste domingo, dia 8, no 32º Congresso Brasileiro de Urologia, em Goiânia, suas últimas descobertas sobre o tema. De acordo com ele, quatro aspectos fundamentais fazem o câncer nesse grupo ser mais agressivo e também dobra as chances de reincidência após a retirada do tumor: a diluição do PSA, o aumento do hormônio feminino no corpo (estrogênio), o aumento da próstata no obeso e a dificuldade de se fazer biopsia do órgão e a produção de IGF1 (substancia que aumenta a incidência dos tumores).

Para Freedland, a obesidade leva à queda de alguns hormônios, como a testosterona, e ao aumento de outros, como o estrogênio, e isso poderia influenciar no aumento da incidência de tumores. “Nos EUA a obesidade é um problema de saúde pública. Cerca de 30% dos adultos são obesos. Sabemos que a obesidade está ligada a cardiopatias, diabetes e outros problemas e agora estamos estudando sua relação com o câncer”, disse. De acordo com ele, os obesos também têm resistência à insulina que é um fator influente para o aumento do risco de câncer de próstata. Diabéticos têm mais tendência a desenvolver tumores devido a produção do IGF1.

Segundo os estudos de Freedland, nos obesos o câncer de próstata tem mais chances de ser mais agressivo e o dobro de chances de haver reincidência após a retirada do tumor. “Já percebemos também que quanto mais obesa a pessoa é, menor é o seu índice de PSA. Pois conforme o IMC aumenta, os níveis de PSA diminuem. O obeso tem um volume sanguíneo maior e produz a mesma quantidade de PSA de uma pessoa normal, então, a conclusão a que chegamos é que nos obesos há mais volume de sangue e o PSA fica mais diluído por isso esse resultado mais baixo”, afirmou. Para Freedland, é preciso criar um índice de PSA ajustável ao IMC (índice de massa corpórea). Os médicos hoje em dia já têm indicado biópsia em obesos com PSA de 2ng/ml. Em pessoas normais, a indicação vale a partir de 2,5 ng/ml.

Outro dado apresentado pelo renomado urologista americano foi que os homens obesos têm a próstata maior, então é mais difícil diagnosticar um câncer por meio de biópsia. O médico finalizou explicando que tem dedicado grandes esforços nesses estudos para encontrar respostas para essa relação entre a obesidade com os cânceres de próstata mais agressivos e ajudar nos diagnósticos precoces. O câncer de próstata em obesos é mais agressivo e sua evolução é mais rápida. Por isso, a incidência de mortes entre obesos para câncer de próstata é alta.

Campanha de Prevenção ao Câncer de Próstata
Prevenção. Assim como as mulheres, os homens devem se conscientizar de que a prevenção é o segredo de uma vida longa.
Para orientar a população masculina, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) inicia a quinta Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Próstata a partir do dia 17, Dia Nacional de Combate à doença. Os objetivos serão explicar a importância da prevenção e desmistificar as formas de tratamento.

Hoje em dia, há desinformação quando se comparam os três tipos de cirurgias existentes: aberta, laparoscópica e robótica. É nossa função orientar a população de que, apesar de se propagarem que uma cirurgia é melhor que a outra, isso não existe. Os resultados oncológicos finais, que é o mais importante na cura, são muito semelhantes entre as três técnicas.

A prevenção é a única forma de se diagnosticar o câncer em estágio inicial, quando ele é curável em 90% dos casos. É preciso conscientizar os homens de que a doença não tem sintomas, então esperar sentir alguma coisa para procurar um urologista é um erro grave. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em média há por ano cerca de 50 mil novos casos.

Nos últimos anos, o paciente com câncer de próstata vem mudando de perfil. Há 20 anos, era mais comum em homens mais velhos, a partir dos 60 anos, hoje em dia a doença tem acometido cada vez mais homens maduros, na faixa de 40 e 50 anos.

Prevenção
Pesquisas apontam que os hábitos alimentares desregrados são uma das prováveis causas do aparecimento da doença em homens mais jovens. Por isso, os médicos recomendam a ingestão de pouca gordura animal, abundante alimentação vegetal (legumes, frutas e verduras), uso de vitaminas A e D, selênio (presente na castanha do Pará) e chá verde (catechinas), além de tomates e vinhos (licopeno). “Essas indicações alimentares são baseadas em estudos sobre a doença. Mas é preciso informar também que ainda não é possível evitar o câncer”.

Homens com casos na família devem iniciar os exames preventivos a partir dos 40 anos. Quem não tem histórico familiar, pode começar aos 45 anos. É bom alertar que apenas a dosagem do PSA não é eficaz na detecção do câncer. A cada dez casos de câncer de próstata, quatro têm o PSA normal, por isso o toque retal é imprescindível.

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